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Capa de Carlos Magno e o Abade de S. Gall (Edição de 1877)

Carlos Magno e o Abade de S. Gall (Edição de 1877)

Guerra Junqueiro (?–1923)

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O começo

Carlos Magno numa das suas frequentes viagens viu o abade de S. Gall, preguiçosamente reclinado sobre almofadas à porta da abadia, fresco, rosado, bem disposto. Carlos Magno adorava os homens enérgicos e ativos, e o abade era indolente. Além disso o imperador tinha mais de um motivo de queixa contra ele.

— Bons dias, senhor abade. Ainda bem que o encontro. Tenho a submeter à sua esclarecida rasão três perguntas, às quais terá a bondade de me responder daqui a três meses, contados dia a dia, em sessão solene do nosso conselho imperial. Primeiro que tudo, desejo saber o meu valor em dinheiro; em segundo lugar, quanto tempo levaria a dar a volta ao mundo; em terceiro lugar, que estarei eu pensando no momento em que v. rev.ma vier à minha presença, pensamento que deve ser um erro. Trate darranjar resposta satisfatória a tudo, aliás deixa de ser abade de S. Gall, e tem de abandonar a abadia, montado num burro com a cara voltada para o rabo.»

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