O Tropeiro
O começo
Olha a madrinha da tropa, / João: / O lote não vai seguido, / Deitou-se o burro—Perdido— / No chão!
Sentido no alevantar, / Cuidado! / E’ arisca a besta baia, / Anda, vê que ela não caia, / Pasmado!
Toca a—Fidalga—da beira / Da serra; / Si escorregar, vái-se embora / Do barranco de fora / Na terra.
Diabo, que fazes tu, / Não vês? / Sacode o relho, o chicote, / Só andam cinco no lote, / Sam seis.
Tinhoso, vira essa cara / No andar; / Estou vendo a cabeçada / Da besta mais carregada / No ar.
Olha o cavalo tordilho / Parado; / Sentido que o lote espalha, / Já traz pendida a cangalha / Do lado.
Deita, deita o tapa-olhos, / Não pares; / Aperta mais o arrôcho, / Vai o ligai meio frouxo / Nos ares.
A ferradura ali está / Da mão, / Anda, suspende o embornal, / Não vês o saco de sal / No chão?
Ché que esperança! lá vou, / Rapaz; / Vou só beber a caninha / Ali naquela vendinha / —Detrás.
Vamos depressa, galopa, / Machinho; / Em um nadinha lá estou; / Tenho as chilenas—lá vou, / E volto logo ao caminho.
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