Saudade (José Bonifácio, o Moço)
O começo
Eu já tive em belos tempos / Alguns sonhos de criança; / Já pendurei nas estrelas / A minha verde esperança; / Já recolhi pelo mundo / Muita suave lembrança.
Sonhava então—e que sonhos / Minha mente acalentaram?! / Que visões tão feiticeiras / Minhas noites embalaram?! / Como eram puros os raios / Dos meus dias que passaram?!
Tinha um anjo de olhos negros, / Um anjo puro e inocente, / Um anjo que me matava / Só c’um olhar—de repente, / —Olhar que batia nalma, / Raio de luz transparente!
Quando ela ria, e que riso?! / Quando chorava,—que pranto?! / Quando rezava, que prece! / E nessa prece que encanto!? / Quando soltava os cabelos, / Como esparzia quebranto?!
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Por entre o chorão das campas / Minhas visões se ocultaram; / Meus pobres versos perdidos. / Todos, todos acabaram; / De tantas rosas brilhantes / Sò folhas seca ficaram!
Oh que já fui feliz!—ardente, ansioso / Esta vida boiou-me em mar dencantos! / Os meus sonhos de amor eram mil flores / Aos sorrisos daurora, abrindo à medo / Nos orvalhados campos!
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