Prometeu (José Bonifácio, o Moço)
O começo
Na cratera de um vulcão / Fiz meu ninho— águia sublime / Da liberdade a canção / Acompanhou-me no crime. / Por cerrado nevoeiro / O meu cabeço altaneiro / —Ufano cedro enterrei— / Mas veio o raio celeste / Como em Jafa a negra peste, / No chão a face rojei!
Por sobre restos humanos / Ampla estrada ovante abri;
Entre destroços e danos / Da bala ao silvo dormi! / Os homens todos trèmiam, / Quando meus passos ouviam / Troar num brazido aceso; / Mesmo hoje terror infundo, / Nem pòde sofrer o mundo / Das minhas glorias o peso.
Possante a fama agoureira / —Não hei de calar, não calo; / Esmaguei a terra inteira / C’o as patas do meu cavalo! / Abri mapas, fiz nações, / Das extintas gerações / A fria cinza tremeu! / Da gloria sobre os caminhos / Colhi louros dos espinhos, / Vi na terra a luz do céu.
Rei da vitória, senhor, / Das balas que me seguiam, / Da batalha entre o fragor, / Si eu falava—elas fugiam! … / O vate da Ukranea ouviu-me, / Alegre a Italia sorriu-me, / Caminhei por toda a parte; / Viu-me o turco minarete, / Reluzir meu capacete, / Fluctuar meu estandarte.
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