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Olinda

José Bonifácio, o Moço

Poesia2 min de leitura2 páginas

O começo

Olinda—vives formosa / Nestas colinas perdida; / Princeza do mar saudosa / Tu sonhas de amor rendida! / Vejo-te aí feiticeira, / Talvez pensando agoureira, / Nessa já morta grandeza; / Mas em vez de um rico trono / Nesse largo e fundo sono / Fez um ninho a natureza!

Sobre um tapiz de verdura, / India de amor namorada, / Tens a vaga que murmura, / A teus pés escravisada! / Ai no passado a tua gloria, / No livro eterno da historia,

Conservou a mão da sorte; / Tu revives na lembrança, / Como as flores da esperança / Sobre a cruz—depois da morte.

Foste rainha—o teu cetro / Estes campos dominou; / Mas veio um dia—poisou / Nas praias um negro espectro! / No leito do cativeiro / Entre os braços de um guerreiro / Veneno e gozo bebeste! / Sobre o seio adormecida / Naquele engano da vida, / Dormiste, mas não morreste!

Oh! que riqueza sem fim! / Oh que bulício sem par! / Tiveste grandeza assim, / —Ouro e prata a deslumbrar! / A mão do fado infeliz / Ver-te nua um dia quis / Só com tuas penas—mas nada! / Como tu és linda agora, / Banhando-te à luz da aurora, / Naquela vaga azulada?!

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