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Calabar

José Bonifácio, o Moço

Poesia2 min de leitura2 páginas

O começo

Oh não vendeu-se, não!—ele era escravo / Do jugo português—quis a vingança, / Abriu sua alma às ambições de um bravo / E em nova escravidão bebeu a esp’rança! / Combateu … pelejou … entre a batalha / Viu essas vidas que no pó se somem; / Enrolou-se da pátria na mortalha, / Ergueu-se—inda era um homem!

Calabar! Calabar!—foi a mentira / Que a maldição cuspiu em tua memoria! / Amaste a liberdade;—era uma lira / De loucos sonhos, delevada gloria! / Alma adejando neste céu brilhante / —Sonhaste escravo reviver liberto; / Subiste ao largo espaço triunfante, / Voaste—era um deserto!

A quem trahiste, herói? na vil poeira / Que juramento te prendia a fé? / Escravo por escravo— essa bandeira / Foi de um soldado—lá ficou de pé!… / Viu o sol entre as brumas do futuro / —Ele que por si só nada podia; / Quiz vingar-se também,—no sonho escuro / Quiz ter também seu dia!

O pulso roixo da fatal cadeia / Brandio uma arma, pelejou também; / Viram-no erguido na refrega feia, / —Sombrio vulto que o valor sustem! / Respeitai-o—que amou a heroicidade! / Quis erguer-se também do raso chão! / Foi delírio talvez—a eternidade / Teve no coração!

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