Livros › José Bonifácio, o Moço › Saudai-o Agora à Margem do Caminho

Capa de Saudai-o Agora à Margem do Caminho

Saudai-o Agora à Margem do Caminho

José Bonifácio, o Moço

Poesia3 min de leitura3 páginas

O começo

Saudai-o agora à margem do caminho / No marco extremo o viajor dormido! / Saudai-o!—deste mundo apodrecido, / Vede-o, buscando a luz do excelso ninho!... / Cedro que o vento derrubou na poeira, / Tribuno que despiu purp’ra e arminho, / Soldado que morreu junto à bandeira!

Do vulto gigantesco a sombra agora / Perdeu-se na infinita escuridade... / Na ampulheta de Deus—na eternidade / Não vale o tempo, não se conta uma hora! / Saudai a estrela que surgiu nos céus, / O coração que ergueu à liberdade / Epinicios de amor, louvando a Deus.

No viço do poder— ei-lo tombado / Como o cedro do viso da montanha; / Bateu-lhe o coração na dor tamanha / E o espirito exultou no céu doirado! / Rico de inspirações no voo ardente / Nas azas do prazer viram-no alado, / —Inda o mesmo ao morrer— inda mais crente!

Oh não manchou a túnica brilhante / No feio tremedal—na apostasia! / Não cuspiu a derrota... ele sorria / Vendo a face do sol no giro ovante! / Não foi dos entes vis, que em praça impura / Vendem a alma à fortuna triunfante, / E perjuram ao pé da sepultura!

Texto do Wikisource em português, que só hospeda obra livre: domínio público ou licença livre (CC BY-SA 3.0). A ficha aponta de volta para a página de origem, que é a atribuição que a licença pede.

Mais de José Bonifácio, o Moço