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Capa de Zé Brasil

Zé Brasil

Monteiro Lobato (?–1948)

Política e sociedade11 min de leitura10 páginas

O começo

Zé Brasil era um pobre coitado. Nasceu e sempre viveu em casebres de sapé e barro, desses de chão batido e sem mobília nenhuma — só a mesa encardida, o banco duro, o mocho de três pernas, uns caixões. as cúias… Nem cama tinha. Zé Brasil sempre dormiu em esteiras de tábua. Que mais na casa? A espingardinha, o pote d'água, o caco de sela, o rabo de tatú, a arca, o facão, um santinho na parede. Livros, só folhinhas — para ver as luas e se vai chover ou não, e aquele livrinho do Fontoura com a história do Jéca Tatú.

— Coitado deste Jéca! dizia Zé Brasil olhando para aquelas figuras. Tal qual eu. Tudo que ele tinha, eu também tenho. A mesma opilação, a mesma maleita, a mesma miséria e até o mesmo cachorrinho. Pois não é que meu cachorro também se chama Jolí?…

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A vida de Zé Brasil era a mais simples. Levantar de madrugada, tomar um cafézinho ralo ("escolha" com rapadura), com farinha de milho (quando tinha) e ir para a roça pegar no cabo da enxada. O almoço ele o comia lá mesmo, levado pela mulher; arroz com feijão e farinha de mandioca, às vezes um torresmo ou um pedacinho de carne seca para enfeitar. Depois, cabo da enxada outra vez, até à hora do café do meio-dia. E novamente a enxada, quando não a foice ou o machado. A luta com a terra sempre foi brava. O mato não para nunca de crescer, e é preciso ir derrubando as capoeiras e capoeirões porque não há o que se estrague tão depressa como as terras de plantação.

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