Artigo de Euclides da Cunha de 6 de Setembro de 1897
Euclides da Cunha (?–1909)
O começo
MONTE SANTO — Finalmente chegamos, às 9 horas da manhã, à nossa base de operações, depois de duas horas de marcha.
Ninguém pode imaginar o que é Monte-Santo a três quilómetros de distância. Ereta num ligeiro socalco, ao pé de majestosa montanha, a povoação, poucos metros a cavaleiro sobre os tabuleiros extensos que se estendem ao norte, está numa situação admirável. Não conheço nenhuma de aspecto mais pitoresco que o deste arraial — humilde perdido no seio dos sertões. O viajante exausto, esmagado pelo cansaço e pelas saudades, sente um desafogo imenso ao avistá-lo, depois de galgar a ultima ondulação do solo, com as suas casas brancas e pequenas, caindo por um plano de inclinação insensível até à planice vastíssima.
Na montanha, a um lado, ressalta logo à vista um quadro interessante e novo.
Galgando-a, primeiro numa direção, depois noutra, em zig-zag, até vingar a encosta e subindo depois pelo espigão afora até a rota culminante da serra, apruman-se vinte e quatro capelas, alvíssimas, destacando-se nítidamente num fundo pardo e requeimado de terreno áspero e estéril.
Texto do Wikisource em português, que só hospeda obra livre: domínio público ou licença livre (CC BY-SA 3.0). A ficha aponta de volta para a página de origem, que é a atribuição que a licença pede.