Artigo de Euclides da Cunha de 28 de Setembro de 1897
Euclides da Cunha (?–1909)
O começo
Durante a noite toda, com pequenos intervalos, continuou de parte a parte, intensa, a fuzilaria. Creio que os jagunços conseguiram agora graças a sucessivos, inesperados e impetuosos assaltos às linhas e protegidos pela noite, tirar alguns baldes de água das cacimbas do rio. Nada de novo, entretanto, na nossa sítuação geral.
Persiste a monotomia estranha do cerco. No entanto há três dias acreditei que os nossos antagonistas não poderiam resistir três horas, esmagados numa brusca apertura do cerco. Mas lá estão, indomáveis, num círculo estreitíssimo, visados constantemente por mil e tantas carabinas prestes a disparar — e não cedem.
São incompreensíveis quase tais lances de heroísmo.
Para não perder tempo continuo, com o tenente-coronel Siqueira de Menezes — um tipo interessantíssimo e notável, ao qual, mais longamente me referirei — a observar sistematicamente, hora por hora, a temperatura, a pressão e a altitude em Canudos. Faremos com todo o cuidado estas observações que são as primeiras realizadas nestas regiões e das quais se derivará a definição mais ou menos aproximada do clima destes sertões.
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