Artigo de Euclides da Cunha de 7 de Agosto de 1897
Euclides da Cunha (?–1909)
O começo
Bordo do Espírito Santo, 7 de agosto de 1897.
Depois de quatro longos dias de verdadeira tortura subo pela última vez à tolda do vapor na entrada belíssima e arrebatadora da Bahia.
Não descreverei os incidentes da viagem, vistos todos através de inconcebível mal-estar, desde o momento emocionante da partida em que Bueno de Andrada e Teixeira de Souza — um temperamento feliz, enérgico e bom, e uma alma austera de filósofo — representaram em dois abraços todos os meus amigos de S.Paulo e do Rio, até o seu termo final, nas águas desta histórica paragem.
Escrevo rápidamente, direi mesmo vertiginosamente, acotovelado a todo o instante por passageiros que irradiam em todas as direções sobre o tombadilho, na azáfama ruidosa da chegada, através de um coro de interjeições festivas no qual meia dúzia de línguas se amoldam ao mesmo entusiasmo. É a admiração perene e intensa pela nossa natureza olímpica e fulgurante, prefigurando na estranha majestade a grandeza da nossa nacionalidade futura.
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