Artigo de Euclides da Cunha de 5 de Setembro de 1897
Euclides da Cunha (?–1909)
O começo
CANSANÇÃO — Aqui chegamos às 9 horas da manhã — esplêndida manhã! — caminhando duas léguas a partir do Tanquinho. Cansanção, felizmente, já merece o nome de povoado. Tem onze casas, algumas cobertas de telhas, e um armazém paupérrimo no qual entramos com a mesma satisfação com que aí se penetra no Pregredior. Sentimo-nos deslumbrados ante as prateleiras toscas e desguarnecidas.
A povoação erige-se numa mancha de terreno argiloso — largo hiato no deserto de grez que a rodeia; e tem uma feição ridente erguida numa breve colina de onde se descortinam horizontes indefenidos. Nem uma elevação regular, porém, perturba a monotonia de um solo chato — sucessão ininterrupta de tabuleiros imensos.
A população, membros de uma só família, vivendo sob um regime patriarcal e primitivo, recebeu-nos numa quase ovação — capitaneada pelo chefe, o velho Gomes Buraqueira, que apesar dos oitenta esses bem contados alevantou, por três vezes, num amplexo formidável, a um metro de altura, o coronel Callado.
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