Artigo de Euclides da Cunha de 26 de Setembro de 1897
Euclides da Cunha (?–1909)
O começo
Os jagunços encurralados na igreja nova e no santuário anexo, desde às 10 horas da noite de ontem, até o momento em que escrevo (10 1/4 da manhã) atiram desordenadamente numa fuzilaria continua, frouxa às vezes, recrudescendo repentinamente outras. Não apontam mais, atiram ao acaso, para todas as direções, desesperadamente. É um vulcão numa erupção de balas aquele templo maldito.
O espetáculo de Canudos, presa das chamas que lavram em diferentes pontos é extraordinário; a fumarada — enuovelada e pardacenta — alevanta-se e descorola-se e espalha-se por sobre os telhados, encobrindo a maior parte das casas e mal deixando perceber as bandeirolas vermelhas — pontos determinantes da linha do cerco — alevantados agora em torno do último baluarte dos rebeldes. E os tiros partem deste, constantes, multiplicados, inúmeros, num desperdiçar de munições capaz de exaurir o arsenal mais rico. São balas que sibilam em todos tons desde o ressoar áspero e roufenho das Comblains à zoada lúgubre dos projéteis grosseiros dos bacamartes, ao assovio suave quase e delicadíssimo da…
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