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Artigo de Euclides da Cunha de 4 de Setembro de 1897

Euclides da Cunha (?–1909)

Crônica e ensaio3 min de leitura3 páginas

O começo

TANQUINHO — São dez horas da noite. Traço rapidamente estas notas sob a ramagem opulenta de um joazeiro, enquanto, em torno, todo o acampamento dorme.

Tanquinho é positivamente um lugar detestável e o viajante que vence as cinco léguas que o separam de Queimadas tem a pior das decepções ante esta lúgubre tapera de duas casas abandonadas e destruídas, quase invadidas pela galhada áspera e inextricável do alecrim dos tabuleiros de cujo seio emergem cactos esguios imprimindo à paisagem uma feição monótona e tristíssima.

Chegamos à uma hora da tarde, depois de cinco horas de viagem sob um sol abrazador, através das catingas intermináveis, por uma estrada magnífica, é certo, mas cujo leito arenoso multiplica enormemente os ardores da canícula.

Trouxe longamente sofreiada uma sede indefinível.

Não se pode avaliar de longe, o que é uma viagem nestas regiões estéreis onde não se encontra o mais exíguo regato, o mais insignificante filete de água. Apenas em raros pontos deparamos com minúsculas lagoas, já numa transição perfeita para pântanos, com a superfície líquida revestida da vegetação característica.

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