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O Demônio Familiar

José de Alencar

Teatro1 h 30 de leitura75 páginas

O começo — I

Em casa de EDUARDO. Gabinete de estudo.

CARLOTINHA, HENRIQUETA

CARLOTINHA - Mano, mano! (Voltando-se para a porta.) Não te disse? Saiu! (Acenando.) Vem, psiu, vem!

HENRIQUETA - Não, ele pode zangar-se quando souber.

CARLOTINHA - Quem vai contar-lhe? Demais, que tem isso? Os homens não dizem que as moças são curiosas?

HENRIQUETA - Mas, Carlotinha, não é bonito uma moça entrar no quarto de um moço solteiro.

CARLOTINHA - Sozinha, sim; mas com a irmã não faz mal.

HENRIQUETA - Sempre faz.

CARLOTINHA - Ora! Estavas morrendo de vontade.

HENRIQUETA - Eu não; tu é que me chamaste.

CARLOTINIIA - Porque me fazias tantas perguntinhas, que logo percebi o que havia aqui dentro. (No coração.)

HENRIQUETA - Carlotinha!…

CARLOTINHA - Está bom, não te zangues.

HENRIQUETA - Não; mas tens lembranças!

CARLOTINHA - Que parecem esquecimentos, não é? Esquecia-me que não gostas que adivinhem os teus segredos.

HENRIQUETA - Não os tenho.

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