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Demônio Familiar

José de Alencar

Teatro1 h 30 de leitura78 páginas

O começo — I

Em casa de EDUARDO. Gabinete de estudo.

CARLOTINHA, HENRIQUETA

CARLOTINHA – Mano, mano! (Voltando-se para a porta.) Não te disse? Saiu! (Acenando.) Vem, psiu, vem!

HENRIQUETA – Não, ele pode zangar-se quando souber.

CARLOTINHA – Quem vai contar-lhe? Demais, que tem isso? Os homens não dizem que as moças são curiosas?

HENRIQUETA – Mas, Carlotinha, não é bonito uma moça entrar no quarto de um moço solteiro.

CARLOTINHA – Sozinha, sim; mas com a irmã não faz mal.

HENRIQUETA – Sempre faz.

CARLOTINHA – Ora! Estavas morrendo de vontade.

HENRIQUETA – Eu não; tu é que me chamaste.

CARLOTINIIA – Porque me fazias tantas perguntinhas, que logo percebi o que havia aqui dentro. (No coração.)

HENRIQUETA – Carlotinha!…

CARLOTINHA – Está bom, não te zangues.

HENRIQUETA – Não; mas tens lembranças!

CARLOTINHA – Que parecem esquecimentos, não é? Esquecia-me que não gostas que adivinhem os teus segredos.

HENRIQUETA – Não os tenho.

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