Demônio Familiar
O começo — I
Em casa de EDUARDO. Gabinete de estudo.
CARLOTINHA, HENRIQUETA
CARLOTINHA – Mano, mano! (Voltando-se para a porta.) Não te disse? Saiu! (Acenando.) Vem, psiu, vem!
HENRIQUETA – Não, ele pode zangar-se quando souber.
CARLOTINHA – Quem vai contar-lhe? Demais, que tem isso? Os homens não dizem que as moças são curiosas?
HENRIQUETA – Mas, Carlotinha, não é bonito uma moça entrar no quarto de um moço solteiro.
CARLOTINHA – Sozinha, sim; mas com a irmã não faz mal.
HENRIQUETA – Sempre faz.
CARLOTINHA – Ora! Estavas morrendo de vontade.
HENRIQUETA – Eu não; tu é que me chamaste.
CARLOTINIIA – Porque me fazias tantas perguntinhas, que logo percebi o que havia aqui dentro. (No coração.)
HENRIQUETA – Carlotinha!…
CARLOTINHA – Está bom, não te zangues.
HENRIQUETA – Não; mas tens lembranças!
CARLOTINHA – Que parecem esquecimentos, não é? Esquecia-me que não gostas que adivinhem os teus segredos.
HENRIQUETA – Não os tenho.
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