
As Minas de Prata
O começo — I/I
Em que se trava conhecimento com dois mancebos de boas prendas.
Raiava o ano de 1609.
A primeira manhã de janeiro, esfolhando a luz serena pelos horizontes puros e diaphanos, dourava o cabeço dos montes que cingem a linda Bahia do Salvador, e desenhava sobre o matiz de opala e purpura o soberbo panorama da antiga capital do Brasil.
A cidade nascente apenas, mas louça e gentil, elevando aos ares as grimpas de suas torres, olhando o mar que se alisava a seus pés como uma alcatifa de veludo, era então, pelo direito da beleza e pela razão da progenitura, a rainha do império selvagem que dormia ainda no seio das virgens florestas.
A natureza preparara no grupo de outeiros apinhados um trono de relva sobre o qual a linda cidade dominava o oceano, sorrindo ao nauta que da extrema do horizonte a saudava com um olhar amigo, para dar-lhe o bom-dia se chegava, e enviar-lhe o ultimo adeus quando se partia.
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