A Viuvinha
O começo — I
Se passasse há dez anos pela praia da Gloria, minha prima, antes que as novas ruas que se abrirão tivessem dado um ar de cidade às lindas encostas do morro de Santa Theresa, veria de longe sorrir-lhe entre o arvoredo, na quebrada da montanha, uma casinha alva de quatro janelas com um pequeno jardim na frente.
Ao cair da tarde havia de descobrir na ultima das janelas o vulto gracioso de uma menina que aí se conservava imnovel até 6 horas, em que, retirando-se ligeiramente, vinha pela portinha do jardim encontrar-se com um moço que subia a ladeira, e oferecer-lhe modestamente a fronte, onde ele pousava um beijo de amor tão casto que parecia antes um beijo de pai.
Depois, com as mãos entrelaçadas, iam ambos sentar-sea un canto do jardim, onde a sombra era mais espessa, e aí conversavão baixinho um tempo esquecido: ouvia-se apenas o doce murmúrio das vozes, interrompidas por esses momentos de silencio em que a alma emmudece, por não achar no vocábulo humano outra linguagem que melhor a exprima.
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