Correspondência Ativa de Euclides da Cunha em 1895
Euclides da Cunha (?–1909)
O começo — S. Paulo, 6 de janeiro de 1895
Saúde e felicidades. Desejo que estejas bom assim como toda a família. Recebi a tua carta e dou-te razão para estranhares o meu silêncio. Realmente, acúmulo de trabalho tem me impedido escrever não só a ti como a outros amigos. Recebi o teu delicado cartão no dia 1º, o qual me veio lembrar mais uma falta por mim cometida, visto como me esqueci inteiramente de saudar nesse dia aos raros e bons amigos que possuo.
Escrevo esta da casa do Porchat em quem dei o abraço que enviaste; é escusado dizer-te que ele o recebeu com a maior satisfação e agradece-te muitíssimo. É um belíssimo rapaz que quase sempre me recorda um bom amigo ausente, igualmente moço e talentoso, que aí tenho, longe, nessa nossa adorável Campanha…
Diga ao Lemos que breve, amanhã, escrever-lhe-ei; faz-lhe uma visita por mim.
Soube aqui qualquer coisa acerca do nosso velho amigo Bernanrdo Veiga que ao que parece esteve às voltas com um tratante qualquer, tendo a satisfação porém, de ser amparado, na refrega, por todos os filhos daí. Ainda bem: envio-lhe um abraço. Faz aqui um calor espantoso, 32, 33, 34 graus, quase diariamente; apesar disto, vou indo melhor de saúde e vão bem todos de casa. Vou logo saber se já veio afinal o Borges Carneiro. Em último caso enviar-te-ei, se o quiseres, o poeirento fóssil que existe no Garraux.
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