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A Guerra: Depoimentos de Herejes

Jaime de Magalhães Lima (1859–1936)

HistóriaFilosofia2 h 40 de leitura139 páginas

O começo — Mazzini

É condição ingénita dos homens sofrer para conhecer. A experiência e o que ela ensina não passa sem máguas. A dor ilumina e revela o caminho da salvação. Porventura tanto nos elevamos e robustecemos, no entendimento e no caráter, pelos desenganos dos erros e pelas atribulações que eles importam como nos cegamos, desvairamos e enfraquecemos pelos bafejos de uma fortuna fácil e prolongada.

Se benefícios teve a guerra, o mais alto seria acordar, até às suas mais remotas profundezas, a consciência dos povos, o sentimento do seu destino e responsabilidades na vida. Perdidos nas mais pungentes incertezas, em labirintos de ruínas inundadas de sangue e 142 habitadas pela morte, pela fome e pela desgraça, perguntam entre agonias se na terra haverá refúgio de tão agudas penas e calamidades; anciosos, interrogam os céus e a imensidade, rogando que lhes mandem uma voz que seja o pregão do resgate, um alento onde respirem a fortaleza e paz. Profetas que a embriaguez das paixões votára à mudez dos seus túmulos e a quem o seu tempo desconhecêra ou apenas suspeitára a grandeza, erguem-se…

Jaime de Magalhães Lima (autor) morreu em 1936; Lei 9.610/98 art. 41 (70 anos a partir de 1º/1 do ano seguinte) ⇒ livre em 2007.

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