Do que o Fogo Não Queima
Jaime de Magalhães Lima (1859–1936)
O começo — Abertura
Composição e Impressão / Emprêsa Gráfica A UNIVERSAL / 111, Rua Duque de Loulé, 131 / PORTO
DO QUE O FOGO NÃO QUEIMA
JAIME DE MAGALHÃES LIMA
Do que o fogo / não queima
PORTO / Empresa Gráfica A UNIVERSAL / 111, Rua Duque de Loulé, 131 / 1918
[V]
A guerra prossegue na sua impenitencia sinistra, junta os seus dias em meses e os seus meses em anos, e as heresias que a aborrecem e lhe negam a legitimidade e os benefícios, não se rendem e nem sequer esmorecem, não obstante a insistência do flagelo que lhe dá visos de necessidade e condição natural. E eu, que dessas heresias fiz colheita e esperança 1 no primeiro momento, suspeito a conveniência, senão a obrigação, de as repetir e corroborar quando o tempo e a perseverança entre vicissitudes contrárias as fortificaram e disseminaram.
Daí este opusculo.
«Heresias» não será talvez o termo próprio; melhor diria se lhes chamasse «crenças». «Heresia [VI]é uma palavra que as tiranias do fanatismo fizeram aviltante e criminosa para justificar as atrocidades de um domínio insaciável e da intolerância, sem aliás alcançarem discriminar, e muito menos provar, onde residia a piedade e a injuria, se em quem usava os poderes da terra para oprimir a consciência, se em quem se prevalecia da robustez de consciência para afrontar os poderes do mundo. No fim, ambos encontrarão porventura que fizeram ato de fé a seu modo—indubitavelmente muito mais glorioso no que por acusação de heresia sofreu o martírio. Este será, na realidade, o crente, quem mais de…
Jaime de Magalhães Lima (autor) morreu em 1936; Lei 9.610/98 art. 41 (70 anos a partir de 1º/1 do ano seguinte) ⇒ livre em 2007.