
Transviado
Jaime de Magalhães Lima (1859–1936)
O começo
Dedico-te este livro que é simultaneamente uma recordação e uma promessa da nossa amizade. Nasceu da vida comum do nosso espirito, da experiencia na áspera e triste jornada pela terra que temos feito juntos e em que caminharemos unidos até que o destino lhe ponha termo.
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Nos campos do Mondego, abaixo de Coimbra, a primavera é frequentemente agreste e fria. Quando o vento do mar sopra rijo sobre os brancos lenções de malmequeres a surgir da terra úmida e paludosa, ainda farta das águas do inverno, as tardes são inclementes para o corpo ávido do repouso e doçura da natureza.
Este rapaz que além se apeou de uma carruagem, em frente da estação de S. Braz, na estrada que vem dos lados de Albergaria, atravessou a linha conchegando o gabão que o vento desconcerta, e, mal entrado na gare, em que só destaca uma carreta abandonada com poucos fardos, procura onde se abrigue. Estamos todavia numa tarde dabril.
Jaime de Magalhães Lima (autor) morreu em 1936; Lei 9.610/98 art. 41 (70 anos a partir de 1º/1 do ano seguinte) ⇒ livre em 2007.