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Uma Alvorada Triste

Euclides da Cunha (?–1909)

Crônica e ensaio3 min de leitura3 páginas

O começo

MONTE SANTO - No entanto vibravam nos ares as notas metálicas de seis bandas marciais e a manhã rompeu entre os acampamentos do oriente, expandindo-os num firmamento sem nuvens.

Olhando em torno o que se observa é o mais perfeito contraste com a feição elevada desta data ruidosamente saudada.

As impressões aqui formam-se através de um jogo persistente de antíteses. Situada num dos lugares mais belos e interessantes do nosso país, Monte Santo é simplesmente repugnante. A grande praça central ilude à primeira vista. Quem ousa atravessar, porém, as vielas estreitíssimas e tortuosas que nela afluem é assoberbado por um espanto extraordinário. Não são ruas, não são bonecos, são como que imensos encanamentos de esgoto, sem abóbadas, destruídos.

Custa a admitir a possibilidade da vida em tal meio estreito, exíguo, miserável - em que se comprimem agora dois mil soldados, excluído o pessoal de outras repartições, e uma multidão rebarbativa de megeras esquálidas e feias na maioria - fúrias que encalçam o exército. E todo esse acervo incoerente começa, cedo, a agitar-se, fervilhando na única praça, largamente batida pelo sol. Confundem-se todas as posições, acotovelam-se seres de todos os graus antropológicos.

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