Mattos, Malta ou Matta?
Aluísio Azevedo (1857–1913)
O começo — I
De um cavalheiro cujo nome ocultamos, não só a seu pedido, como porque seria imprudente e talvez mesmo perigoso revelá-lo, recebemos uma importantíssima carta, a que damos publicidade porque o seu assunto se prende intimamente à gravíssima questão — Castro Malta.
É possível, provável mesmo, que das obsequiosas informações desse cavalheiro resultem novos elementos de convicção que auxiliem o desfecho dessa questão, concorrendo para descobrir esse tenebroso mistério, que tanto se empenha a Polícia em ocultar.
Ao nosso amável informante pedimos desculpa de havermos publicado integralmente a sua carta e que nos remeta sem detença quaisquer informações novas, que porventura venha a colher.
Eis a carta:
Sr. Redator dA Semana.
Posto que apenas ligeiros laços de cortesia liguem as nossas relações, tomo a liberdade de dirigir-me a V. S.ª porque entendo ser esse o melhor caminho para chegar aos fins a que desejo chegar. Trata-se de merecer de V. S.ª um obséquio, cuja realização, que não lhe custara grande sacrifício, trará no entanto para este seu criado vantagens incalculáveis, e mais ainda como que o gozo do cumprimento de um dever. O meu desejo é que V. S.ª dê na sua esperançosa Folha uma notícia, uma simples notícia, a respeito de certo fato, insignificante na aparência, mas em verdade de um grande alcance social e político. E, para que V. S.ª possa dar tal notícia com toda a segurança, preciso é que eu fale de…
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