Livros › Aluísio Azevedo › Livro de uma Sogra

Capa de Livro de uma Sogra

Livro de uma Sogra

Aluísio Azevedo (1857–1913)

Romance4 h de leitura212 páginas

O começo — I

… se travail offre un autre découragement; que / des choses hardies, et que je n’avance qu’en / tremblant, seront de plats lieux comuns dix / ans après ma mort… / STENDHAL, Souvenirs d’Égotisme.

De volta da minha última peregrinação à Europa, depois de cinco anos de saudades do Brasil, foi que, pela primeira vez, senti todo o peso e toda a tristeza do meu isolamento e pensei com menos repugnância na hipótese de casar. Foi a primeira vez e também a última que semelhante veleidade me passou pelo espírito; daí a vinte e quatro horas tinha resolvido ficar eternamente solteiro.

Estava então com trinta e cinco anos. Dessa vez, como sempre me sucedia ao pensar no casamento, veio-me logo à ideia o meu amigo Leandro, e vou dizer por quê:

Leandro de Oviedo era, entre os meus companheiros da primeira juventude, o único que se conservou fiel à nossa amizade. Os outros tinham todos desaparecido; alguns simplesmente do Rio de Janeiro ou do Brasil, mas, ai! a melhor parte havia já desertado deste mundo, para nunca mais voltar.

Texto do Wikisource em português, que só hospeda obra livre: domínio público ou licença livre (CC BY-SA 3.0). A ficha aponta de volta para a página de origem, que é a atribuição que a licença pede.

Mais de Aluísio Azevedo