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Capa de A Mortalha de Alzira (1895)

A Mortalha de Alzira (1895)

Aluísio Azevedo (1857–1913)

Romance9 min de leitura8 páginas

O começo — Dedicatoria

Aqui entre nós, leitor idealista, dou-te este livro assim com o ar de quem te faz um obsequio, quando o verdadeiro obsequiado sou eu, pois que achei esta ocasião de desabafar os contidos suspiros da minha velha alma romântica.

O livro que se abre agora defronte dos teus olhos tem para mim os efeitos de uma válvula de segurança. Recebe-o de bom coração e não supponhas que recolhes no teu regaço carinhoso alguma impura fancaria de especulador. Não! A obra que te dedico é sincera sob o ponto de vista da comoção, posto não seja honestamente e logicamente irmã das minhas outras filhas literárias, que constitúem a honradissima família de que sou chefe.

E’ um filho que não reconheci logo, nem baptisei com o meu nome, mas que, a despeito disso, não foi produzido com menos amor ou desejo. E’ o filho de uma ilusão fugitiva, de uma loucura de amor boêmio; é um filho bastardo, mas é meu filho.

Nasceu fora do meu casal, em noutes de amor e fantasia; pobres beijos trocados à luz de velhas estrelas que nunca mais se apagaram; sonhos embalsamados de passageiras flores que para sempre se extinguiram; mas eu o amo.

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