Filomena Borges
Aluísio Azevedo (1857–1913)
O começo — I
O Borges não cabia em si de contente no dia de seu consórcio com a filha de D. Clementina.
Estava a perder a cabeça — ia e vinha por toda a casa, radiante, cheio, abraçando os convidados, forçando-os a participarem daquela felicidade, que marcava a melhor e a mais extraordinária época de sua vida.
Era homem de meia idade, quarenta a quarenta e cinco anos, robusto, socado, fisionomia franca e extremamente bondoso, movimentos acanhados de quem não convive em alta sociedade, e um perene sorriso dentes puros e perfeitos.
Usava o bigode raspado e uma barbinha de orelha a orelha, por baixo do queixo-o que o fazia parecer mais feio e mais velho. Nunca saía de suas calças de brim mineiro, do seu invariável paletó de alpaca, dos seus sapatões de bezerro e do seu chapéu do Chile. Um enorme guarda-chuva sempre debaixo do braço.
Todo ele estava a revelar a sua infância no campo, descalço, o corpo à vontade, as madrugadas feitas de pé, ao primeiro sol.
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