Viação Sul-Americana
Euclides da Cunha (?–1909)
O começo
Em 1907 contrapunham-se 20.814 quilômetros de vias férreas, argentinas, e 17.242, brasileiras; e a diferença resultante sugeriu comentários que nos são abertamente desfavoráveis. A nossa subalternidade econômica, ou prática, ao parecer dos que os fazem, assim se expõe sem atavios, às escâncaras, em números. É uma cousa que se vê, se numera e se mede numa escala. Não há iludir-se a simples proporção capaz de alcandorar-se em fórmula apavorante do nosso atraso, admitindo-se como termos os povoamentos dos dois países e as linhas que um e outro percorrem para o domínio da terra. Escrevem-na:
6.000.000: 20.000.000:: 20.814: x x = 69.269 e concluem que, para lograrmos a vida intensa daquele país, devêramos possuir cerca de 70.000 km de caminhos de ferro. Não há aí boletim rebarbativo, crespo de algarismos, ou inaturável revista mercantil em que este monótono paralelo não se haja inserido a dilatar o critérios maciço dos guarda-livros filósofos, permitindo-se estabelecer, à ventura, entre duas sociedades, relação tão simples.
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