Artigo de Euclides da Cunha de 1º de Setembro de 1897
Euclides da Cunha (?–1909)
O começo
QUEIMADAS — Encontramos esta localidade sem a agitação dos últimos meses. Voltou a primitiva quietude com a partida dos últimos batalhões, ontem realizada.
É pequeno e atrasado, vivendo em função da estação da estrada de ferro, este arraial obscuro — último elo que nos liga hoje, às terras civilizadas.
A casaria — pobre, desageitada e velha, agrupa-se em torno da única praça, grande mas irregular, transitoriamente animada agora pela passagem dos contingentes que trouxemos.
Em torno, amplíssimas, desdobram-se as catingas. E não há a mais ligeira variante, a mais breve colina onde o olhar repouse exausto a dilatar-se pelos horizontes longínquos, cansado da montonia acabrunhadora de extensa tabuleiros cobertos de arbustos requeimados.
Observar a povoação é mais monótono ainda. Não há um edifício regular, sofrível sequer.
O quartel-general está numa casinha baixa, de compartimentos minúsculos; a repartição telegráfica, numa melhor mas com a mesma feição deprimida.
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