Mãe (José de Alencar)
O começo — I
Em casa de GOMES. Sala de visitas.
ELISA e GOMES
GOMES - Já estás cosendo, minha filha?
ELISA - Acordei tão cedo… Não tinha que fazer.
GOMES - Por que me ocultas o teu generoso sacrifício? Cuidas que não adivinhei?
ELISA - O que, meu pai?… Que fiz eu?…
GOMES - São as tuas costuras que têm suprido esta semana as nossas despesas. Conheceste que eu não tinha dinheiro para os gastos da casa e não me pediste… trabalhaste!
ELISA - Não era a minha obrigação, meu pai?
GOMES - Oh! E preciso que isto tenha um termo!
ELISA - Também hoje é 3 do mês… Vm. receberá o seu ordenado.
GOMES - Meu ordenado?… Já o recebi.
ELISA - Ah! Precisou dele para pagar a casa?
GOMES - Depois que morreu tua mãe, Elisa, tenho sofrido muito. Além dessa perda irreparável, as despesas da moléstia me atrasaram de modo, que não sei quando poderei pagar as dívidas que pesam sobre mim.
ELISA - E são muitas?
GOMES - Nem eu sei… Já perdi a cabeça! Mas isto vai acabar… Não é possível viver assim.
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