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Iracema

José de Alencar

Iracema, a "virgem dos lábios de mel", e Martim, o colonizador; o nascimento simbólico do brasileiro.

Romance2 h 30 de leitura136 páginas

O começo — I

Verdes mares bravios de minha terra natal, onde canta a jandaia nas frondes da carnaúba;

Verdes mares, que brilhaes como liquida esmeralda aos raios do sol nascente, perlongando as alvas praias ensombradas de coqueiros;

Serenai, verdes mares, e alisai docemente a vaga impetuosa para que o barco aventureiro manso resvalle à flor das águas.

Onde vai a affouta jangada, que deixa rápida a costa cearense, aberta ao fresco terral a grande vela?

Onde vai como branca alcyone buscando o rochedo pátrio nas solidões do oceano?

Três entes respirão sobre o frágil lenho que vai singrando veloce, mar em fora:

Um jovem guerreiro cuja tez branca não cora o sangue americano; uma criança e um rafeiro que virão a luz no berço das florestas, e brincão irmãos, filhos ambos da mesma terra selvagem.

A lufada intermitente traz da praia um eco vibrante, que resoa entre o marulho das vagas:

— Iracema!…

O moço guerreiro, encostado ao mastro, leva os olhos presos na sombra fugitiva da terra: à espaços o olhar empanado por tênue lágrima cai sobre o giráo, onde folgão as duas inocentes criaturas, companheiras de seu infortúnio.

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