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O Rico e o Pobre (Ortografia Original)

Guerra Junqueiro (?–1923)

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O começo

Martinho era um rapazito, que ganhava a sua vida a fazer recados; um dia, voltando de uma aldeia muito distante da sua, achou-se cansado e deitou-se de baixo de uma arvore, à porta de uma estalagem, junto da estrada. Estava comendo um bocado de pão que tinha trazido para jantar, quando chegou uma bela carroagem em que vinha um fidalguinho, com o seu preceptor. O estalajadeiro correu imediatamente e perguntou aos viajantes se queriam apear-se, mas responderam-lhe que não tinham tempo, e pediram-lhe que lhes trouxesse um frango assado e uma garrafa de vinho.

Martinho estava pasmado a olhar para eles; olhou depois para a sua codea de pão, para a sua velha jaqueta, para o seu chapéu todo roto, e suspirando exclamou baixinho: Oh! se eu fosse aquele menino tão rico, em vez do desgraçado Martinho! que fortuna se ele estivesse aqui, e eu dentro daquela carruagem!» O preceptor ouviu casualmente o que dizia Martinho e repetiu-o ao seu aluno, que, lançando a cabeça fora da carruagem, chamou Martinho com a mão.

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