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O Crédito

José de Alencar

Teatro1 h 50 de leitura105 páginas

O começo — I

Entrada de uma casa em São Clemente. À esquerda, a fachada do edifício, com porta e escada de pedra sobre o pátio. À direita, uma gradil elegante e um belo portão. No fundo, um muro baixo e a chácara. No centro um alegrete com um cedro.

São cinco horas da tarde de um dia de setembro.

JULIETA, CRISTINA, depois uma VELHA e uma MENINA CEGA

(JULIETA está na janela, quando aparecem no portão CRISTINA e BORGES. BORGES cumprimenta JULIETA e sai.)

JULIETA (na janela) - Cristina!

CRISTINA (correndo para a porta) - Julieta!

(A porta abre-se, JULIETA sai, as duas moças abraçam-se.)

JULIETA - Adeus; ingrata!

CRISTINA - Um mês, é verdade! Tiveste saudades minhas?

JULIETA - Ainda perguntas?…

CRISTINA - E eu, não fazes ideia! Todos os dias pedia a mamãe para voltar. Não sei que encantos acha ela em S. Domingos!

JULIETA - É um belo lugar para tomar ares!

CRISTINA - Qual! Pois ainda acreditas nisto! Os médicos inventaram esse meio de se livrarem dos doentes que não sabem curar. Os melhores ares são os que se respiram perto daqueles que amamos.. Por isso eu aqui era São Clemente, junto de ti, estou sempre alegre e satisfeita.

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