Livros › José de Alencar › O Ermitão da Glória

Capa de O Ermitão da Glória

O Ermitão da Glória

José de Alencar

Contos1 h 10 de leitura62 páginas

O começo — I

Caía a tarde.

A borrasca, tangida pelo nordeste, desdobrava sobre o oceano o manto bronzeado.

Com a sombra, que projetavam os negros castelos de nuvens, carregava-se o torvo aspecto da costa.

As ilhas que bordam esse vasto seio de mar, entre a Ponta dos Búzios e Cabo Frio, confundiam-se com a terra firme, e pareciam apenas saliências dos rochedos.

Nas águas da Ilha dos Papagaios balouçava-se um barco de borda rasa e um só mastro, tão cosido à terra, que o olhar do mais prático marinheiro não o distinguiria a meia milha de distância entre as fraguras do penedo e o farelhão dos abrolhos.

Pelas amuradas e convés do barco viam-se recostados ou estendidos de bruços, cerca de dez marujos, que passavam o tempo a galhofar, molhando a palavra em um garrafão de boa cachaça de São Gonçalo, cada um quando chegava a sua vez.

Na tilha sobre alva esteira de coco estava sentada uma linda morena, de olhos e cabelos negros, com uma boca cheia de sorrisos e feitiços.

Texto do Wikisource em português, que só hospeda obra livre: domínio público ou licença livre (CC BY-SA 3.0). A ficha aponta de volta para a página de origem, que é a atribuição que a licença pede.

Mais de José de Alencar