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Capa de Perfeição das Obras de Deus (Edição de 1877)

Perfeição das Obras de Deus (Edição de 1877)

Guerra Junqueiro (?–1923)

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O começo

A filha. — Oh! mamã quebrou-se-me a agulha.

A mãe. — Vou-te dar outra.

A filha. — Como se fazem as agulhas, mamã?

A mãe. — Vê se adivinhas.

A filha. — Nã sei, mamã.

A mãe. — Conheces os metais?

A filha. — Conheço mamã; tenho lá dentro muitos bocadinhos dentro de uma caixa.

A mãe. — Ora muito bem, dize-me lá, as agulhas são de pau, de pedra, de mármore?

A filha. — Oh! não; são de metal; mas de que metal?

A mãe. — Antes de perguntar qualquer coisa, vê sempre se a adivinhas primeiro.

A filha. — Ora espere!… uma agulha é de metal: não é de prata, porque não é branca; não é de oiro, porque não é de um lindo amarelo muito brilhante; não é de cobre, porque não é de um amarelo muito feio, que cheira mal… Então é de ferro, mamã?

A mãe. — Adivinhaste.

A filha. — Mas, mamã, o ferro não é liso e brilhante como as agulhas.

A mãe . — É que é primeiro polido e preparado de certo modo, e depois já se não chama ferro, é aço.

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