A Virtude Laureada: Drama Recitado no Teatro do Salitre
Manuel Maria Barbosa du Bocage (1765–1805)
O começo — *EPISTOLA.*
Qual dentre as rotas, náufragas cavernas / Do lenho que se abriu, desfez nas rochas, / Colhe affanoso, deplorável Nauta / Reliquias tênues, com que a vida estêe, / Em erma, ignota praia, a que aboiárão, / E onde a custo o remio propicia antena: / Tal eu, que da Existencia o Pégo, o Abysmo, / (De que assomão, rebentão, rugem, fervem / Rochedos, Escarcéos, Tufões, e Raios) / Tal eu, que da Existencia o Mar sanhudo / Vi romper meu Baixel, e arremessar-me / A inhóspitos montões de estranha areia, / Triste recolho os míseros sobêjos, / Com que esvaído alento instaure, esforce, / E avive os dias, que amorteço em mágoas. / Em ti, constante, desvelado Amigo, / Demando contra a Sorte asilo, e…
Manuel Maria Barbosa du Bocage (autor) morreu em 1805; Lei 9.610/98 art. 41 (70 anos a partir de 1º/1 do ano seguinte) ⇒ livre em 1876.