Queixumes do Pastor Elmano contra a Falsidade da Pastora Urselina Égloga
Manuel Maria Barbosa du Bocage (1765–1805)
O começo — PASTORA URSELINA . · +EGLOGA.+
Seu manto desdobrava a Noite escura, / E a Rã no charco, o Lobo na espessura / Vociferando, os ares atroavão; / Do trabalho diurno já cessavão / Os rudes, vigorosos Camponezes: / O Vaqueiro, cantando atrás das Rezes, / Após as Cabras o Pastor cantando, / Hião para as Malhadas caminhando, / Tudo jazia em paz, menos o triste, / O desgraçado Elmano, a quem feriste, / Oh pernicioso Amor, cruel Deidade, / Flagélo da infeliz Humanidade: / Tudo, enfim, descansava, excepto Elmano, / Que a mão do Fado, universal Tyranno, / Sentia sobre si descarregada; / Que, longe da Paterna Choça amada, / Dependente vivia em Lar estranho, / Sendo os desgostos seus o seu rebanho. / Honrados Maioraes o Ser lhe deram…
Manuel Maria Barbosa du Bocage (autor) morreu em 1805; Lei 9.610/98 art. 41 (70 anos a partir de 1º/1 do ano seguinte) ⇒ livre em 1876.