Elegia
Manuel Maria Barbosa du Bocage (1765–1805)
O começo — ANNO M. DCC. XC.
Com licença da Real Meza da Commissão Geral sobre o Exame, e Censura dos livros. / +ELEGIA.+ / Horridas sombras, horridos vapores, / Que enlutais estes ares carregados / Por onde vão fogindo os meus clamores;
Sinistras Aves, que funestos brados / Espalhais de Cyprestes luctuosos, / Pela negra Tristeza bafejados;
A vós consagro os prantos dolorosos, / Que meus olhos derramão contra a dura, / Antiga lei dos Fados poderosos;
Antiga lei, que à feia sepultura / Arroja sem respeito, e sem piedade / A Virtude, a Grandeza, a Formosura!
Áspera lei, que a pobre Humanidade / Num momento, num átomo arremessa / Ao centro da medonha Eternidade!
Tremendissima lei, que tão depressa / Troca em ais, e desgostos a alegria; / Troca a Purpura em luto, o solio em Eça.
Ah! Nunca amanhecera o cruel dia, / Esse dia fatal, que tu seguiste, / Noite de espanto, noite de agonia.
Téjo, que foste da Tragédia triste / O Theatro infeliz, que he do Thesoiro, / Que a meus olhos saudosos encobriste?
Manuel Maria Barbosa du Bocage (autor) morreu em 1805; Lei 9.610/98 art. 41 (70 anos a partir de 1º/1 do ano seguinte) ⇒ livre em 1876.