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Iaiá Garcia

Machado de Assis (1839–1908)

Romance4 h 10 de leitura222 páginas

O começo — I

Luiz Garcia transpunha a soleira da porta, para sair, quando apareceu um criado e lhe entregou esta carta:

«5 de Outubro de 1866.

«Sr. Luiz Garcia—Peço-lhe o favor de vir falar-me hoje, de uma a duas horas da tarde. Preciso de seus conselhos, e talvez de seus obséquios.—VALERIA.»

—Diga que irei. A senhora está cá no morro?

—Não, senhor, está na rua dos Invalidos.

Luiz Garcia era funcionário publico. Desde 1860 elegera no logar menos povoado de Santa Teresa uma habitação modesta, onde se meteu a si e a sua viuvez. Não era frade, mas queria como eles a solidão e o sossego. A solidão não era absoluta, nem o sossego ininterrompido; mas eram sempre maiores e mais certos que cá embaixo. Os frades que, na puericia da cidade, se tinham alojado nas outras colinas, desciam muita vez,—ou quando o exigia o sacro ministério, ou quando o governo precisava da espada canônica,—e as ocasiões não eram raras; mas geralmente em derredor de suas casas não ia soar a voz da labutação civil. Luiz Garcia podia dizer a mesma cousa; e, porque nenhuma vocação apostólica o…

Machado de Assis (autor) morreu em 1908; Lei 9.610/98 art. 41 (70 anos a partir de 1º/1 do ano seguinte) ⇒ livre em 1979.

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