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A Cartomante

Machado de Assis (1839–1908)

História14 min de leitura12 páginas

O começo

HAMLET observa a Horácio que há mais cousas no céu e na terra do que sonha a nossa filosofia. Era a mesma explicação que dava a bela Rita ao moço Camilo, numa sexta-­feira de novembro de 1869, quando este ria dela, por ter ido na véspera consultar uma cartomante; a diferença é que o fazia por outras palavras.

— Ria, ria. Os homens são assim; não acreditam em nada. Pois saiba que fui, e que ela adivinhou o motivo da consulta, antes mesmo que eu lhe dissesse o que era. Apenas começou a botar as cartas, disse-­me: "A senhora gosta de uma pessoa…" Confessei que sim, e então ela continuou a botar as cartas, combinou-­as, e no fim declarou­-me que eu tinha medo de que você me esquecesse, mas que não era verdade…

— Errou! interrompeu Camilo, rindo.

— Não diga isso, Camilo. Se você soubesse como eu tenho andado, por sua causa. Você sabe; já lhe disse. Não ria de mim, não ria…

Camilo pegou-­lhe nas mãos, e olhou para ela sério e fixo. Jurou que lhe queria muito, que os seus sustos pareciam de criança; em todo o caso, quando tivesse algum receio, a melhor cartomante era ele mesmo. Depois, repreendeu­-a; disse-­lhe que era imprudente andar por essas casas. Vilela podia sabê-­lo, e depois…

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