Livros › Machado de Assis › A Cólera do Império

Capa de A Cólera do Império

A Cólera do Império

Machado de Assis (1839–1908)

História3 min de leitura2 páginas

O começo

De pé! — Quando o inimigo o solo invade / Ergue-se o povo inteiro; e a espada em punho / É como um raio vingador dos livres!

Que espetáculo é este! — Um grito apenas / Bastou para acordar do sono o império! / Era o grito das vítimas. No leito, / Em que a pusera Deus, o vasto corpo / Ergue a imensa nação. Fulmíneos olhos / Lança em torno de si: — lúgubre aspecto / A terra patenteia; o sangue puro, / O sangue de seus filhos corre em ondas / Que dos rios gigantes da floresta / Tingem as turvas, assustadas águas. / Talam seus campos legiões de ingratos. / Como um cortejo fúnebre, a desonra / E a morte as vão seguindo, e as vão guiando, / Ante a espada dos bárbaros, não vale / A coroa dos velhos; a inocência / Debalde aperta ao seio as vestes brancas… / É preciso cair. Pudor, velhice, / Não nos conhecem eles. Nos…

O império estremeceu. A liberdade / Passou-lhe às mãos o gládio sacrossanto, / O gládio de Camilo. O novo Breno / Já pisa o chão da pátria. Avante! avante! / Leva de um golpe aquela turba infrene! / É preciso vencer! Manda a justiça, / Manda a honra lavar com sangue as culpas / De um punhado de escravos. Ai daquele / Que a face maculou da terra livre! / Cada palmo do chão vomita um homem! / E do Norte, e do Sul, como esses rios / Que vão, sulcando a terra, encher os mares, / À falange comum os bravos correm!

Texto do Wikisource em português, que só hospeda obra livre: domínio público ou licença livre (CC BY-SA 3.0). A ficha aponta de volta para a página de origem, que é a atribuição que a licença pede.

Mais de Machado de Assis