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A Morte no Calvário

Machado de Assis (1839–1908)

Poesia2 min de leitura2 páginas

O começo

Consummatum est!

Ei-lo, vai sobre o alto Calvário / Morrer piedoso e calmo em uma cruz! / Povos! naquele fúnebre sudário / Envolto vai um sol de eterna luz!

Ali toda descansa a humanidade; / É o seu salvador, o seu Moisés! / Aquela cruz é o sol da liberdade / Ante o qual são iguais povos e reis!

Povos, olhai! — As fachas mortuárias / São-lhe os louros, as palmas, e os troféus! / Povos, olhai! — As púrpuras cesáreas / Valem acaso em face do Homem-Deus?

Vede! mana-lhe o sangue das feridas / Como o preço da nossa redenção. / Ide banhar os braços parricidas / Nas águas desse fúnebre Jordão!

Ei-lo, vai sobre o alto do Calvário / Morrer piedoso e calmo em uma cruz! / Povos! naquele fúnebre sudário / Envolto vai um sol de eterna luz!

Era o dia tremendo do holocausto… / Deviam triunfar os fariseus… / A cidade acordou toda no fausto, / E à face das nações matava um Deus!

Palpitante, em frenético delírio / A turba lá passou: vai imolar! / Vai sagrar uma palma de martírio, / E é a fronte do Gólgota o altar!

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