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Helena

Machado de Assis (1839–1908)

Um testamento revela uma irmã que ninguém sabia que existia.

Romance4 h 10 de leitura223 páginas

Por que ler

Romance de 1876, ainda da fase em que Machado trabalhava dentro do molde romântico — e já minando o molde por dentro. Serve bem para ver de onde ele partiu antes de Brás Cubas.

Para observar

Note como o segredo é usado: ele não é só reviravolta, é o que organiza o comportamento de todo mundo antes de ser revelado.

O começo — CAPITULO I

O conselheiro Vale morreu às 7 horas da noite de 25 de abril de 1859. Morreu de apoplexia fulminante, pouco depois de cochilar a sesta,—segundo costumava dizer,—e quando se preparava a ir jogar a usual partida de voltarete em casa de um desembargador, seu amigo. O Dr. Camargo, chamado à pressa, nem chegou a tempo de empregar os recursos da ciência; o padre Melchior não pôde dar-lhe as consolações da religião: a morte fora instantânea.

No dia seguinte fez-se o enterro, que foi um dos mais concorridos que ainda viram os moradores do Andarahy. Cerca de duzentas pessoas acompanharam o fim do até a morada ultima, achando-se representadas entre elas as primeiras classes da sociedade. O conselheiro, posto não figurasse em nenhum grande cargo do Estado, ocupava elevado logar na sociedade, pelas relações adquiridas, cabedais, educação e tradições de família. Seu pai fora magistrado no tempo colonial, e figura de certa influência na corte do último vice-rei. Pelo lado materno descendia de uma das mais distintas famílias paulistas. Ele próprio exercêra dous empregos, havendo-se com habilidade e decoro, do que lhe adveiu a carta de…

Machado de Assis (autor) morreu em 1908; Lei 9.610/98 art. 41 (70 anos a partir de 1º/1 do ano seguinte) ⇒ livre em 1979.

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