
Poesias Completas
Machado de Assis (1839–1908)
O começo — ADVERTÊNCIA
Podia dizer, sem mentir, que me pediram a reunião de versos que andavam esparsos; mas, a verdade anterior è que era minha intenção dá-los um dia. Ao cuidar disto agora achei que seria melhor ligar o novo livro aos ires publicados , Chrysalidas, Phalonas, Americanas. Chamo ao ultimo Occidentaes.
Não direi de uns e de outros versos senão que os fiz com amor, e dos primeiros que os reli com saudades. Supprimo da primeira série algumas paginas; as restantes bastam para notar a diferença de idade e de composição. Supprimo também o prefacio de Caetano Filgueiras, que referiu as nossas reuniões diárias, quando já ele era advogado e casado, e nós outros apenas moços e adolescentes; menino chama-me ele. Todos se foram para a morte, ainda na flor da idade, e, excepto o nome de Casimiro de Abreu, nenhum se salvou.
Não deixo esse prefacio, porque a afeição do meu difunto amigo a tal extremo lhe cegára o juízo que não viria a ponto reproduzir aqui aquela saudação inicial. A recordação só teria valor para mim. Baste aos curiosos o encontro casual das datas, a daquele, 22 de Julho de 1864, e a deste.
Machado de Assis (autor) morreu em 1908; Lei 9.610/98 art. 41 (70 anos a partir de 1º/1 do ano seguinte) ⇒ livre em 1979.