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Esaú e Jacó

Machado de Assis (1839–1908)

Dois irmãos gêmeos que discordam de tudo, e um país que faz o mesmo.

Romance5 h 20 de leitura281 páginas

Por que ler

Machado escreveu a rivalidade de Pedro e Paulo em paralelo à passagem do Império para a República. Os irmãos brigam por monarquia e república, por uma mulher, por qualquer coisa — e a discórdia é a única coisa constante.

Para observar

Conselheiro Aires narra sem tomar partido, o tempo todo. Pergunte se isso é sabedoria ou covardia.

O começo — CAPITULO PRIMEIRO · Cousas futuras!

Era a primeira vez que as duas iam ao morro do Castello. Começaram de subir pelo lado da rua do Carmo. Muita gente há no Rio de Janeiro que nunca lá foi, muita haverá morrido, muita mais nascerá e morrerá sem lá pôr os pés. Nem todos podem dizer que conhecem uma cidade inteira. Um velho inglês, que aliás andara terras e terras, confiava-me há muitos anos em Londres que de Londres só conhecia bem o seu club, e era o que lhe bastava da metrópole e do mundo.

Natividade e Perpetua conheciam outras partes, além de Botafogo, mas o morro do Castello, por mais que ouvissem falar dele e da cabocla que lá reinava em 1811, era-lhes tão estranho e remoto como o club. O íngreme, o desigual, o mal calçado da ladeira mortificavam os pés às duas pobres donas. Não obstante, continuavam a subir, como se fosse penitência, devagarinho, cara no chão, veu para baixo. A manhã trazia certo movimento; mulheres, homens, crianças que desciam ou subiam, lavadeiras e soldados, algum empregado, algum logista, algum padre, todos olhavam espantados para elas, que aliás vestiam com grande simplicidade; mas lia um donaire que se não perde, e não era vulgar naquelas alturas.…

Machado de Assis (autor) morreu em 1908; Lei 9.610/98 art. 41 (70 anos a partir de 1º/1 do ano seguinte) ⇒ livre em 1979.

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