Livros › Machado de Assis › Memórias Póstumas de Brás Cubas

Capa de Memórias Póstumas de Brás Cubas

Memórias Póstumas de Brás Cubas

Machado de Assis (1839–1908)

Um defunto conta a própria vida — e não tem mais nada a perder mentindo.

RomanceHumor4 h 30 de leitura240 páginas

Por que ler

Em 1881 Machado inventou um narrador morto, que escreve depois de acabado tudo e por isso não deve satisfação a ninguém. É o livro em que a literatura brasileira deixa de imitar o romance europeu e começa a fazer outra coisa. A ironia não é enfeite: é o método.

Para observar

Brás Cubas se diverte com o leitor e interrompe a própria história para falar com você. Repare quando ele faz isso — quase sempre é quando está prestes a admitir alguma mesquinharia.

O começo — CAPITULO I · Obito do autor

Algum tempo hesitei se devia abrir estas memorias pelo principio ou pelo fim, isto é, se poria em primeiro logar o meu nascimento ou a minha morte. Suposto o uso vulgar seja começar pelo nascimento, duas considerações me levaram a adotar diferente método: a primeira é que eu não sou propriamente um autor defunto, mas um defunto autor, para quem a campa foi outro berço; a segunda é que o escrito ficaria assim mais galante e mais novo. Moysés, que também contou a sua morte, não a pôs no introito, mas no cabo: diferença radical entre este livro e o Pentateuco.

Dito isto, expirei às duas horas da tarde de uma sexta feira do mês de agosto de 1869, na minha bela chácara de Catumby. Tinha uns sessenta e quatro anos, rijos e prósperos, era solteiro, possuía cerca de trezentos contos e fui acompanhado ao cemitério por onze amigos. Onze amigos! Verdade é que não houve cartas nem anúncios. Accresce que chovia—peneirava—uma chuvinha miúda, triste e constante, tão constante e tão triste, que levou um daqueles fieis da ultima hora a intercalar esta engenhosa ideia no discurso que proferiu à beira de minha cova:—«Vós, que o conhecestes, meus senhores, vós podeis dizer comigo que a natureza parece estar chorando a perda irreparável de um dos mais belos…

Machado de Assis (autor) morreu em 1908; Lei 9.610/98 art. 41 (70 anos a partir de 1º/1 do ano seguinte) ⇒ livre em 1979.

Mais de Machado de Assis