Balada do Enforcado
Oscar Wilde (?–1900)
O começo — 0
Cremos desnecessário falar-se mais uma vez da historia dolorosissima, a tragedia horrível de Oscar Wilde, o grande poeta inglês, moço, fidalgo, rico, distinto, elegante, que a fingida pruderie britânica sepultou numa enxovia imunda, depois de um processo escandaloso, que repercutiu no mundo inteiro. Lembram-se todos, principalmente os que se ocupam de cousas referentes às letras e às artes.
Mesmo no horror do carcere, onde sofreu, entre outros, o bárbaro suplício da roda, e desfiou cordas alcatroadas, e exerceu o ofício de cavouqueiro, quebrando as unhas, ensanguentando as suas finas mãos patricias, o genial poeta escreveu! E compôs esta balada:
como reza o fronte spicio da edição inglesa. Oscar Wilde não era mais um homem, uma pessoa: tornou-se uma cousa, um simples numero — o C. 3. 3.
Escrita em admiráveis estrofes de seis versos, noni e octosyllabos, alternados, rimando apenas os segundos, quartos e sextos, traduziu-a, ou, antes, transcreveu-a para o francês, o escritor Henry-D. Davray, colaborador da revista Mercure de France , que a editou. A tradução é em prosa, verso por verso, palavra por palavra, o mais literalmente possível.
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