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O Nosso Caboclismo

Lima Barreto (1881–1922)

Crônica e ensaio2 min de leitura2 páginas

O começo

Uma das manias mais curiosas da nossa mentalidade é o caboclismo. Chama-se isto a cisma que tem todo o brasileiro de que é caboclo ou descende de caboclo.

Nada justifica semelhante aristocracia, porquanto o caboclo, o tupi, era, nas nossas origens, a raça mais atrasada; contudo toda a gente quer ser caboclo.

Muito influíram para isso os poetas indianistas e, sobretudo, o grande José de Alencar, o primeiro romancista do Brasil, que nada tinha de tupinambá.

A mania, porém, percorreu o Brasil; e, quando um sujeito se quer fazer nobre, diz-se caboclo ou descendente de caboclo.

Em matéria de caboclismo, além do Guarani de José de Alencar, só gosto do Uruguai de Basílio da Gama, sobretudo quando fala da morte de Lindóia em cujo rosto a Morte era mais bela.

Entretanto, no Brasil, atualmente, há uns caboclistas muito engraçados. Um deles é o Sr. Rondon, hoje general, que tem um ar feroz de quem vai vencer a batalha de Austerlitz.

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