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A Mulher Brasileira (Lima Barreto)

Lima Barreto (1881–1922)

Crônica e ensaio6 min de leitura5 páginas

O começo

É de uso que, nas sobremesas, se façam brindes em honra ao aniversariante, ao par que se casa, ao infante que recebeu as águas lustrais do batismo, conforme se tratar de um natalício, de um casamento ou batizado. Mas, como a sobremesa é a parte do jantar que predispõe os comensais a discussões filosóficas e morais, quase sempre, nos festins familiares, em vez de se trocarem ideias sobre a imortalidade da alma ou o adultério, como observam os Goncourts, ao primeiro brinde se segue outro em honra à mulher, à mulher brasi­leira.

Todos estão vendo um homenzinho de pince-nez ,testa sungada, metido numas roupas de circunstâncias, levantar-se lá do fim da mesa; e, com uma mão ao cálice, meio suspenso, e a outra na borda do móvel, pesado de pratos sujos, compoteiras de doce, guardanapos, talheres e o resto - dizer: "Peço a palavra"; e começar logo: "Minhas senhoras, meus senhores". As conversas cessam; da Lili deixa de contar a da Vivi a história do seu último namoro; todos se aprumam nas cadeiras; o homem tosse e entra em matéria: "A mulher, esse ente sublime..." E vai por aí, escachoando imagens do Orador Familiar ,e fazendo citações de outros que nunca leu, exaltando as qualidades da mulher brasileira, quer como mãe,…

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