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A Casa Única

Lima Barreto (1881–1922)

ContosDireito5 min de leitura4 páginas

O começo

— Como foi então, a história?

— Ouve.

— Estou ouvindo.

— Eu me formei muito cedo, antes dos vinte e dois anos, como tu sabes. Logo que me formei, graças ao meu Lugar de praticante dos Correios e o rendimento de algumas apólices, pude alugar um escritório, comprar um anel simbólico, um guarda-chuva de castão de ouro, uma pasta de couro, enfim todo o arreamento de um grande advogado. Tive a imagem disso, antes da sensação… Passei a trabalhar nos Correios à noite; e, durante o dia, logo pelas primeiras horas vinha para a cidade, ia ao escritório, onde tinha um empre­gado de sociedade com o vizinho. Sentava-me então solenemente à secretária e esperava os clientes. Não vinham. Eu ficava uma, ou duas horas a folhear uns manuais, aborrecia-me e saía,…

— Ias almoçar mesmo?

— Ia mesmo. Ainda havia dinheiro, não tinha torrado as apólices. Saía com pasta, fraque, guarda-chuva, etc., e ia ao Pascoal tomar um aperitivo e…

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